January 31, 2008

Back to USSR

Em minhas andanças pelo mundo bizarro e extraordinário da internet, encontrei algo que merece destaque aqui no Shoe-me: uma catálogo de "moda tricô" direto da USSR, de 1989 (o ano da queda do regime socialista). A Rússia está no meu Hall de Países Favoritos, mas a moda russa, é no mínimo, intrigante. Principalmente em um país onde as pessoas não podiam ser muito individualistas e o conceito de liberdade estava enterrado mais fundo que os ossos da família Romanov.

Não vou postar o catálogo todo, nem fazer um post só. As imagens são tão fantásticas que merecem, cada uma, um post próprio. Então fofos e fofas apresento:

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Na Rússia não devia ser muito fácil conseguir lã que não tivesse esse tom "eu não me destaco na multidão, por favor não atire em mim, eu amo o Lênin" . O papel de parede é simplesmente um primor na produção da foto. O detalhe de apliques da blusa me dá a impressão de que a lã acabou e a senhora que fez a blusa teve que se contentar em cortar pedaços de feltro do carpete.

A pobre moça...
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"Droga. Porque eu não nasci nos EUA? Uma altura dessas eu poderia estar competindo com a Cindy Crawford, aparecendo nos clipes do George Michael, vestido Gucci, cheirando cocaína em festas intermináveis! Mas estou aqui, no apartamento da avó do fotógrafo vestindo uma blusa feita com lã reaproveitada de um casaco de 1962. Preciso de um copo de vodka..."

E o formoso rapaz...
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"Eu não devia ter apelado pra esse look Baryshnikov. Eu achei que o cabelo ia aguentar, eu vi aquele filme "O Sol da Meia-Noite", porra, o Mikhail segurou a escova! Ele é macho! Ninguém pode saber que eu vi o filme escondido na casa do Andrei, eu posso ser preso! Não consigo parar de pensar na música "Say you, say me". Aguente Pietrov, aguente, se você cantarolar isso, será jogado em uma cela com um soldado socialista insensível. Eu preciso de uma dose de vodka..."

Em breve, mais moda tricô russa pra vocês...

January 21, 2008

Vicio em Miami

Meus leitores fofos pedem e eu faço sorrindo. Desfile da Cori, Dudu Bertolini e Rita Comparato assumem a criação para a grife que agrada as mulheres/executivas/hi my name is Mary Tyler Moore do Brasil.


Aí passa o desfile:



Então Dudu e Rita, o Sonny Crokett ligou...


Ele quer o blazer dele de volta.

No calor de Miami Vice.

January 19, 2008

Posses

O bafão atrás do estilista Lorenzo Merlino foi carregadésimo, com presença de PMs no backstage tirando o padê de garotas de 16 anos e garantindo assim o bom funcionamento do super grandioso evento que é o SPFW.

A oficial de justiça anunciou que estavam lá pra apreender roupas por causa de uma ação trabalhista. O momento ideal realmente, é apreender as roupas de um estilista na hora do desfile dele. Algo me diz que esse ex-funcionário fez trabalho forte no terreiro.

Aí eu vi isso no desfile do Lorenzo e pensei:

"Será que esse cobertor Parahyba cobre os valores da ação?"

Lorenzo, espero que dê tudo certo e você recupere seus cobertores neste inverno.

January 17, 2008

Exótica

A fofésima leitora Érika mandou a foto e eu vou comentar...

A modela (?) Geanine Marques sempre desfila com o Herchcovitch, deve ser amigona. Mas quando ela entra na passarela, e o assistente diz "faz carão meu amô"ela faz isso:

Carão de dor, de quem tomou soda cáustica no café da manhã e ainda sente as entranhas derretendo dentro do corpo.

Ah, sobre o desfile do Alê, adorei a cartela de cores e alguns modelos de vestido. Só.

Limitações


Ontem eu comentei aqui do SPFW e do deslumbre do povo que passa por lá. Hoje vou falar o que penso mesmo da moda brasileira. O texto é meio grande, perdoem a verborragia.

Fazer moda no Brasil nunca foi fácil, como não é fácil escrever um livro ou ser um artista plástico por aqui. O que falta não é criatividade, e sim noção de mercado e o próprio mercado em si. Por estarmos em um país onde, de acordo com o que vi no Jornal Nacional ontem, mais de 60% dos eleitores não completaram nem o primeiro grau de ensino, é quase que um sonho distante fincar este mercado da maneira ideal.

Considero a importância da moda sim, seja em seu aspecto artístico, mas mais ainda, financeiro. Ela gira grana, muita grana, inclusive aqui. Mas no mundo inteiro, ela vai tomando novos rumos e vive um momento estranho. Lá fora, muitas grifes buscam novos meios de ganhar dinheiro porque não são mais as roupas que vendem, e sim acessórios, sapatos e perfumes. As pessoas deixam de consumir roupas de marca porque encontram similares em lojas comuns, e passam a consumir sapatos, bolsas e acessórios, que custam caro, mas carregam consigo o status de uma marca e duram mais tempo que uma peça de roupa. Os desfiles tratam então de lançar os looks, as tendências, e as "butiques" das famosas "High Streets" inglesas e das lojas de departamentos, copiam e vendem muito mais. A moda tem seu capital instalado aí.

Sustentar a criatividade aqui fica mais complicado. O que aparece em um desfile, é modificado e mastigado para ser aceito pelo consumidor. A culpa é do próprio mercado, que sabe como o público quer consumir. Mesmo nas grandes capitais as pessoas não se atrevem a sair muito na rua vestidas com roupas com desenho ousado. Ousadia, aqui, é usar cós baixo e barriga pra fora. Quem consome moda mesmo, pura, são poucas pessoas "antenadas" e corajosas eu diria. O estilista então é completamente tolhido, e por falta de patrocínio (desfilar no SPFW é caríssimo) e acaba ficando vendido. Temos centenas de faculdades de moda, e temos pessoas talentosas aqui. Mas sustentar a idéia que um dia o povo(e o mercado) brasileiro vai encarar o que é fashion mesmo... Bom, se não sabemos nem escolher um presidente, quem dirá uma roupa, não é mesmo?

January 16, 2008

Balbúrdia

O SPFW começou e recebi alguns emails pedindo análises dos desfiles. Meus leitores e leitoras freqüentes sabem que é só eu falar de desfile que povo "oficial" da moda baixa aqui para reclamar que eu não tenho o direito de fazer isso. Rá!

Bom, depois de bocejar muito no primeiro desfile, que foi da Forum (veja o vídeo aqui) e ver que Tufi Duek tem paixão por fazer vestidinhos bem "inhos" e alguns cortes razoáveis de alfaiataria, as botas clones da Chanel me fizeram levantar a sobrancelha e dizer "hã?". A Forum é preguiça mesmo.

Eu não vejo muita diferença entre o deslumbramento do povitcho em São Paulo e da alegria do povo de Mineirolândia, no Ceará, desfilando pela griffe (grife com dois efes que e pra ficar mais gramurozo) Stylus:



As luzes de Natal em torno da passarela, a estrutura atrás, as modelos sorridentes e fartas... Tem até flashes bombando.

Joga meia dúzia de taças da Chandon quente e a Erika Patolino ali na frente, que meu bem, dá na mesma.